“Amnion é uma membrana que constitui a bolsa amniótica a qual envolve e protege o embrião.(…)Tem a função de produção do líquido amniótico que protege o embrião contra choques mecânicos e dissecação, mantém a temperatura do corpo e permite a movimentação do embrião”.
wikipedia
Amnion é a representação de um mundo intra-uterino interrompido por forças exteriores.
Os registos vídeo transmitem um ambiente aquático, quente… uterino. Estes irão ser posteriormente projectados sobre um corpo nu e vulnerável num ambiente soturno apenas com uma fonte de luz: o projector. Estas imagens exteriores são como projecções do que já esteve naquele corpo, como se fosse um eco.
Sobre esse corpo nu cairão grandes porções de um material gelatinoso, incolor, de forma a não afectar a projecção nem a cor natural da pele. O material que pingará funcionará como uma metáfora para a água, a origem da vida, o líquido amniótico… em oposição ao seu movimento: a escorrer, que está associado à ideia de perda, violência, quebra por factores exteriores. O líquido domina o corpo, como se essa perda de vida tomasse conta desse mesmo corpo.
O corpo fará movimentos lentos e perturbantes como se tivesse sido tomado por algo que o transcende de uma forma avassaladora…
O som terá um grande peso nesta instalação performativa, serão reproduzidos sons fetais, batimentos cardíacos e de movimentos intra-uterinos. Esses sons funcionarão como reforço à estranheza e ao ambiente perturbante.
O objectivo deste trabalho é criar um ambiente envolvente, mas ao mesmo tempo inquietante e que faça o espectador colocar questões a ele próprio sobre a sua condição enquanto ser humano e da fragilidade da vida.
Neste momento de pesquisa e experimentações estou a fazer registos vídeo e fotográficos. Para além disso, resolvi fazer um pequeno exercício de escrita automática que se encontra num dos posts anteriores.